Sou Exú da Lei de Deus e uso capa. A capa de um Exú não é comprada, barganhada, ganhada ou qualquer outra coisa que suas mentes possam imaginar. A capa de um Exú é conquistada com muita luta, suor e lágrimas para usar os termos de vocês encarnados.
Existem escolas astrais para iniciados nas artes dos Exús das mais variadas linhas de atuação. Aliás, para isso também existem regras. Um ingressante das escolas iniciáticas é sempre um convidado, nunca um candidato natural. Normalmente o convidado é um espírito antigo, conhecedor de magias e técnicas de demandas astrais e que, em algum momento, confrontou um Exú da Lei de Deus e, deste confronto, entendeu que o caminho do amor poderia ser o seu caminho. Entra aí, mais uma vez o Amor de Deus. Um Exú da Sua Lei é o responsável por ensinar aquele que acabou de confrontar se assim o entender que aquele espírito que se rendeu à Luz poderá se transformar em um Guardião da Lei.
Uma vez iniciado, estes espíritos podem então, sob a supervisão do seu Mentor, participarem de trabalhos espirituais como estagiários, sempre seguindo ordens e nunca tomando a iniciativa de ação alguma. Alias, eis aí um dos primeiros ensinamentos para alguém que almeje a função de Guardião: humildade e obediência à sua hierarquia. Parece com um terreiro, não é meus filhos?
Os impacientes se perguntam por que me esqueci do tema neste momento. Não esqueci.
Continuo. O guardião em formação também deve aprender os graus de magia que ainda não conhece, mas nem todos os mistérios lhe são revelados. Aprenderá ainda a distinguir as almas boas das auto-condenadas dentre aqueles espíritos de energia densificada. Também deve aprender a reconhecer, e portanto respeitar, um Exú da Lei quando atuando no Submundo, pois estes carregam consigo a energia daquelas paragens quando em missão, o que torna difícil separá-los do meio.
Estes estudantes da Arte, conforme seu empenho e desempenho na graduação que lhes está sendo permitido almejar, poderão com muito trabalho, em algum momento da formação, servir a Deus arriando em uma casa de Umbanda. Poderão então orientar um médium durante consultas a necessitados e se, eventualmente precisar de ajuda, recorrerá ao seu Mentor para a solução dos casos que lhe forem apresentados.
É aí que muitos estudantes falham. A tentação de atuar fora da Lei de Deus se apresentará de muitas maneiras. Médium e aprendiz de Exú estão sob exame nestas situações que, por via de regra, são muito delicadas. Depois de alguns anos de teste no chamado toco, o aprendiz passará então por um exame de qualificação do qual não posso me alongar na fala. Se conseguir, finalmente tiro a ansiedade dos filhos e filhas que leem este texto, e volto ao primeiro ponto da conversa: o estudante ganha o grau de Exú e o direito de se enquadrar em alguma das falanges de Umbanda, a que lhe for mais favorável do ponto de vista da sua energética e conhecimento ancestral. Se enquadrando em uma falange, ganha então o direito de usar as ferramentas da falange, entre elas a tão necessária capa, objeto desta comunicação.
Mesmo ganhando o direito de usar este instrumento, o espírito que agora carrega o grau de Exú, ainda não é um Exú da Lei de Deus, ainda não ganhou o direito de ser um Senhor do Carma. Os anos de dedicação, aprimoramento e trabalhos incessantes sem se desviar por MOMENTO ALGUM da Lei de Deus dirão, perante o Conselho da Lei, se o Exú poderá se elevar ao grau de Exú da Lei de Deus e Executor do Carma. Se conseguir a aprovação do Conselho, servirá a Deus como um Executor do Carma entre outras funções que podem lhe ser outorgadas. Seu espírito será marcado para sempre, pelos próprios Representantes do Conselho, com as insígnias da sua função, e levará o Amor aonde quer que vá. As suas responsabilidades aumentarão astronomicamente, inclusive pelo fato de agora ter a outorga da ação auto-determinada. Se reportará ao Conselho periodicamente.
Tá certo. Mas para que serve a capa? Respondo: no mundo astral ela tem as funções de proteção energética dos corpos astrais do Exú e do seu médium, emanação da Força da Lei em situações de embate, abertura de portais de energética variada para ações variadas, passaporte seguro por entre os Guardiões dos limites do Submundo e pelos portais astrais abertos pelo próprio Exú, ocultação da Luz Divina do Exú para missões em que isso seja necessário, ocultação de corpos astrais para infiltração e sondagem de ações dos Chefes do Submundo entre outras funções de difícil compreensão para vocês. A capa traz consigo também os símbolos das Forças que o Guardião representa e faz valer em caso de necessidade. Existem capas com gorros para complemento das funções já descritas. Alguns Exús complementam seus instrumentos com chapéus ou cartolas. Alias, notem estas funcionalidades na direita também. Todo mundo já viu um Preto Velho de chapéu, não é mesmo? Mesmas funções. Agora, poucos já viram um Preto Velho com capa. Você já viu?
Em geral uma capa tem ao menos duas emanações energéticas, que no mundo material e para compreensão dos encarnados, refletem-se como cores. As mais comuns são preta de um lado e vermelha do outro. Em geral o Exú cobre-se com preto para segurança energética e ocultações variadas. Cobre-se com o vermelho para embates variados. Muitas outras cores podem ser utilizadas dependendo da especialidade do Guardião. A cor reflete a vibratória na qual aquele Guardião desenvolve com maestria as suas funcionalidades. As correlações das cores com os Orixás ou ainda mistura delas é direta para os filhos de Umbanda.
Agora, parece óbvio, mas pode não ser para alguns de vocês: toda capa tem dois lados e ao menos duas cores. É isso, duas cores. A capa que é toda preta por exemplo, tem dois lados e e ao menos dois pretos e duas funções distintas, uma para cada lado. Por exemplo, um lado oculta, faz segurança energética. O outro faz demanda contra Magos Negros do Submundo, usando o nada, o vazio de Omolu, representado pela cor preta, força irresistível que vence qualquer Mago Negro, desde que executado por um Guardião da Lei de Deus que esteja autorizado. É meus filhos, sempre tem uma hierarquia acima de nós. Sempre.
O uso das capas no lado encarnado tem grande valia do ponto de vista organizacional. Auxilia o dia a dia dos trabalhos facilitando aos dirigentes conhecer rapidamente, devido à necessidade desta rapidez durante ações magísticas, a relação sobre qual filho serve a qual Guardião e quais são as Suas especialidades. Notem a ordem das palavras: filhos servem a Guardiões nos trabalhos de Umbanda e não o contrário. Guardião que adquire o Grau de Exú da Lei de Deus NUNCA é o chamado “pau mandado”. Se você algum dia achar que “mandou seu Exú fazer algo e ele fez”, é bom se preocupar sobre que tipo de espírito ao qual você está dando suas forças e conversar imediatamente com seu dirigente. Os chamados Exús ou Guardiões enviados para demandar contra os filhos, na verdade ainda não conseguiram Grau algum. São chamados Exús ou Guardiões apenas por costume.
Sob o ponto de vista magístico, o uso da capa no lado encarnado das tropas tem uma função: trata-se de um tecido imantado para proteção dos médiuns. A magia se opera no plano real da vida, no plano astral, resultando em interações e movimentações junto ao plano material e não o contrário. Lembrem-se também das entregas e amalás: são feitas por causa do duplo etérico, não é mesmo? O duplo fica do lato astral do mundo, onde operam-se todas as ações magísticas. Saibam que os Guardiões da Lei, assim como todos os Espíritos Iluminados da Lei de Umbanda, não precisam no lado material, a rigor, de objetos e/ou enfeites e decorações em seus médiuns para auxiliar aos necessitados. Não quero dizer com isso que são desnecessários e devem ser abolidos. A sua função é clara e fortemente válida como auxiliadores psicológicos dos quais nos fazemos uso para auxiliar na conexão encarnado-desencarnado, atuando como facilitadores da concentração e consequentemente da entrega mental do encarnado às orientações dos Mentores, resultando em eficiência nos trabalhos. De fato, filhos e filhas queridos, a rigor, poderíamos atuar na caridade sem a intervenção dos médiuns encarnados. Poderíamos te ajudar sem que ao menos desconfiasse da nossa existência e ainda estaríamos atuando de acordo com a Lei de Amor e Caridade e cumprindo nossa missão. Fazemos como fazemos porque amamos vocês.
Que os Guardiões da Lei iluminem a caminhada.
Tranca Ruas das Almas por Pai José de Ogum.
Curitiba, 01 de outubro de 2018.